
Madalena acordou chapada novamente.
O fedor de cachaça se espalhava pelo ar, misturando-se com o cheiro azedo de buceta suja.
E não podia vir de outro lugar se não do enorme consolo enfiado lá dentro.
Incrivelmente grande, jazia inerte na mucosa seca.
Ardeu um pouco para arrancar, mas era novamente aquela dor gostosa.
Levantou do colchão movimentando suas pelancas moles e encaminhou-se para o chuveiro, pois mal podia agüentar o próprio cheiro.
Tudo ainda girava em sua volta e conforme ela girava a torneira do chuveiro, tudo girava mais ainda.
E nada de água. Girava e girava. E nada de água.
E eis que Madalena, num gesto selvagem e improvável, cuspiu um jato de vômito muito forte na parede.
Desenhou um quadro abstrato colorido, mas tendendo para tons claros, que se misturou por toda a parede e pelo chão do banheiro, ricocheteando em todos os lugares e voltando para Madelana, que totalmente lambuzada, escorregou no próprio vômito e caiu de cabeça no chão, misturada com pedacinhos de alface, feijão e lingüiça frita, principalmente.
Deitada de costas no chão, com a cabeça sangrando, Madalena continuava vomitando, com sua boca aberta, mostrando os pedaços de dentes disformes plantados na gengiva sangrenta.
Quem visse, pensaria logo que ela ia morrer, mas não.
Ainda não era a hora de Madalena.
Tudo o que ela conseguia se lembrar era de uma história que ela viu na televisão de um roqueiro que morreu engasgado com seu próprio vômito, e intimamente, escondido em um lugar da sua mente onde nem ela sabia onde era, queria que o mesmo acontecesse consigo também.
Afinal de contas, se aconteceu com alguém famoso, deve estar na moda.
Mas não era este o destino de Madalena.
Ela teria que continuar viva, para cumprir sua missão.
Ela sabia.
Ela lembrou-se dos seus sonhos.
E das vozes que diziam, Maciel, Maciel...
E lembrou-se do site da internet que ela havia visitado...
E de todas as coisas ruins que aconteceram depois disto...
Da gengivite.
Dos dentes caindo.
Do incêndio na igreja.
Da morte dos pais.
Tudo ao mesmo tempo.
Até que acordou.
Como não tinha água na casa, não poderia limpar toda aquela mistura de vômito com sangue que estava grudada em seu corpo.
E como estava muito quente, secou e formou uma casquinha nojenta que grudou em toda sua pele, formando um recheio crocante.
A casa dela era um ninho nojento e para andar no meio daquilo, você tinha que desviar de tranqueiras mil misturadas com comidas, misturadas com pequenos animais em movimento.
Ela tinha que achar algo líquido para se limpar ou então vomitaria novamente.
Abriu a geladeira e caiu no chão um pedaço de uma fita de vídeo.
O império dos Sentidos.
E lá estava! Numa leiteira de alumínio amaçado...
O chá.
Em uma só virada ela tomou, de uma vez só, 550 ml do chá da fita do filme.
E tudo girava mais uma vez.
E neste momento, o vizinho ligou o som no último volume...
Sick, Bizarre and Defaced Creation, do Pungent Stench.
E como ela não entendia nada daquele barulho horrível, deitou-se no chão e ficou arrotando e peidando feito uma doida, até que o cheiro ficou tão insuportável que ela mesmo vomitou novamente.
Um comentário:
Puta que pariu!
Isso que é estória...kkkkkkk
Tudo tão nojento, mas super divertido.
E quer saber?
Me identifiquei com Madalena...
Quando eu bebo, também vomito meu banheiro inteiro.
Ta aí... Gostei!
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