quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O retorno.

Depois de anos sem que ninguém postasse nada naquele blog, Leonardo resolveu postar. Pensou no que escrever, e o que escreveu foi isto>

Nada. Não escreveu exatamente nada. E não era somente porque em suas mãos não havia caneta, lápis, pena, giz, e sim o seu triste e murcho pênis. E as mulheres já não mais o excitavam. Pois as mulheres não eram mais mulheres, eram magras e altas e pálidas. Gélidas, raquíticas caquéticas. E não eram meninas, fêmeas, eram próteses, nada mais que próteses de rapazes assexuados e insexuados e recuados, sempre acuados, na magreza que formalizava seus pensamentos. Tipos, numa prensa de Gutenberg. Você é o teu corpo? E todo homem que é homem é um andrófobo misantropo homofóbico. Embora tudo isso seja mais medo. E medo é o desejo do covarde. O desejo que estuprem tua família, para que você escape. E assista. E tenha o prazer de sofrer a pimenta no olho dos outros. Seu veado. E agora que as mulheres são homens, não mais acalentam seu sangue, que agora é só coágulo e coalhada, e sua masculinidade permanece inerte. Murcha. Uma caneta, que não escreve. Pois seu dono analfabetizou-se. O guerrilheiro anarco-monarquista, capitalistoludita de coração puro e nobre. Chupando uma manga. Suculenta, cheirosa e vômito. Vômito em golfadas epilépticas.

Assim jamais leria aquele livro. Pois a TV analfabetizou-o. Jamais saberia que aquele livro era uma farsa, e uma contradição em si mesmo. Dez mandamentos, como os dedos polissindáctilos que te empurram traseiro acima. Era muito mais simples existirem 300 mandamentos. Nús. E todos se bastariam em um. Verdade zen. Koan do Pato Donald. Junte-se a nós e sirva-nos de comida. A única verdade. Pois você não precisa saber que na verdade é apenas um instrumento do esterco. Você é a crisálido, a merda é a borboleta, e sua prosbócide é o teu pinto. Enfiado num traveco, que vai te arrebentar na porrada. A bosta é o fim último das verdades humanas. Mas nem isso você entende. Pois você é um fantasma analfabeto. É uma imagem de televisão. Um ator em um teatro que só querem ver o efeito especial que é a porra jorrando, por alguns segundos na cara da tua mãe. E assim jamais ficaremos sabendo do sentido último daqueles outros mandamentos. Que vinham da aristocracia. E que Ockham jamais havia escrito nenhum livro. Aquele tarado. Ainda bem que Deus, o Pai-Nosso o matou. Pois para isso servem os pais. Além de te cagarem. E o copyright do superman expirou. Aquela bichona. Voando por aí, com o pau duro.

Somente naquele momento podia sentir como que um sopro, vento, eflúvio, flatulência do eterno e interminável. Filosofia do pobre, que não possui vocabulário para entender o que ele mesmo pensa. Seus pensamentos estão em uma língua estrangeira, e por isso pensar dói tanto quanto uma pica no cu. Afinal, você não consegue nem ler. Palavras. Palavras. Blá. Papagaio louco, tu és um urubu. Comendo a carniça da letra morta. E já não se podia saber se era um homem excretando uma bosta, ou se era a merda defecando um homem. O mais inexprimível e inefável dos momentos íntimos. O prazer mais solitário que existe, o parto de si mesmo. Pois se é tudo relativo, talvez estejamos mesmo andando todos de cabeça para baixo, e a única coisa que nos prende à terra é aquele pecado impudico de nossas mães. Que dizer então? De que serve a perna última para o saci alado? É tudo tão inútil que se torna indispensável. Condição "sine qua non" de sua absoluta irrelevância. Se os fins justificam mesmo os meios. Aquele grande idiota. E o fim dos homens é a privada. Você fica feliz com um enorme cocô, bem durinho e saudável? Ou deprime-se na diarréia balzaquiana de infindos gardenais? Para quê? Para que ler? A navalha é para cortar. Mas você nem tem coragem de cortar a barba com a navalha. Pois você nem é homem, é fêmea ressequida do produto interno bruto da economia de massas. Fato gerador da hipótese de incidência típica e antijurídicamente inconstitucional da globalização. BRIC no teu MERCOSUL. ALCA. ALCA. ALCA. Na zona franca que é Manaus. E você deseja coisas, sem conservantes e naturalmente artificiais, vermelhas e amarelas, que você jamais compreenderá. Você não é nem o ter, nem o ser. Você é o chorar, porque não pode comprar. E se não pode comprar, ninguém deseja te estuprar. Porque você não é colorido como um pavão. E o desejo de fazer sexo, não é o desejo de perpetuar a maldição do maldito teu pai... Caim... É o desejo infantil e indígena de colorir com um pincel. Tornar os teus cabelos um grande cocar. E o teu pau uma varinha mágica de pintar o sete.


Sentado em seu trono homérico. Conan da fagocitose. Macho de quatro pernas. Jumento atlântico e pacífico dos quatro ventos. Rosa cardeal da onipotência agnóstica do meu pauuuuuuuuuuuuu. Todos os caminhos vão a Roma, mas você nem tem onde morar. E só se prostitui porque as pessoas são masoquistas e te odeiam. E sua ejaculação nada mais é que um cuspe doloroso. Assim, portanto e contudo os entretantos e os por ques e porquês revogam-se todas as disposições em contrário. Chupe-me. Enquanto seguro teus cabelos. Encaracolados. Como tenia solium, eclodindo no meu pequeno... cérebro. Cerebelo vermífugo e ofídico da minha incompetência. lagarto lagartixa tiranossauro rex pax americana "Fight or flight" feedback insight de los macaquitos de la television. Nuke! Cáspita! Viva la revolucion! Seu veado! Cagando, e reproduzindo-se. A imagem e seu criador. Sentado no trono de Jerusalém, erguido sobre os cadáveres de mil bastardos, daquela Grande Prostituta, que foi tua tataravó. Babel de surdos-mudos, que correm como minhocas. E não são minhocas, são o teu pênis mesmo. DNA de mil vermes, correm qual mil espermatozóides anabolizantes no teu sangue infecto. E te dão a tua forma. O meu corpo é o pão. O meu sangue é o vinho e a cachaça. Do andante que é defenestrado. No ônibus assaltado. Ame o teu próximo, pois você será o próximo.

E o livro "A Verdadeira Navalha de Onan". Dane-se. Nunca leu nem um gibizinho da Mônica. Aquela pedofílica prostituta. Escrever. Ler. Foda-se. Para quê? Se já não consigo nem me masturbar? Sildenafil dos infernos, alargou-me a bocarra do ânus. Vagina dentata. Anus dentato. Dentadura. Boca cu. Você come. Você pare. A vagina é um cu gostoso e molhadinho. Mas com ele sempre foi áspero e grudento. Pensava, inquieto, quando um pensamento que na verdade era presságio, palpitação, congelou o coração. Terremoto do amor. E se um dia não puder nem mesmo mais cagar? Folheou o livro. E arrancou uma a uma as folhas. Já não lia mais nenhum livro. Nenhuma oração. Nenhuma frase. Nenhuma palavra. Sem conjunções. Ponto final. As folhas só serviam para limpar a bunda. E sentia-se importante limpando a própria bunda com folhas de livros. Como o multibilionário Stephen Hawking. Em seu trono, fumando um charuto de de de heroína e notas de mil dólares. Aqueles burgueses filhos da puta. E sentia-se muito importante. Limpando a própria bunda. Era acariciar o ego. Anal. Fabeto. O ego é o ânus. O ego é o teu reto. O ego é ismo. Os ismos são terrremotos. Em 2012, você irá afundar. Eu te prometo.

Entregou-se portanto, lânguido, com aquele contentamento de mendigo que se mija todo para não congelar no inverno. Aquele quentinho de cobertor, aquele quentinho de corpo gordinho e corado de nenê. Entregou-se de corpo e alma ao seu novo prazer. Prazer canino e esfomeado. E o seu novo prazer era comer bosta.